O GENEROSO AMOR DE DEUS
Texto Base: Colossenses 3.12-17
“Acima de tudo isto, porém, esteja o amor, que é o vínculo da perfeição.”
Colossenses 3.14
Introdução
Existem coisas que são fáceis de oferecer quando temos muito: podemos repartir alimento, dinheiro, tempo ou conhecimento. Mas existem presentes que são difíceis de entregar justamente porque custam algo dentro de nós. O perdão é um deles. Perdoar alguém que nos feriu profundamente pode parecer injusto, principalmente quando sentimos que aquela pessoa não merece nossa misericórdia. Entretanto, é justamente nesse ponto que o evangelho nos apresenta uma maneira diferente de viver.
O almirante americano William McRaven conta que, durante uma operação militar no Oriente Médio, membros inocentes de uma família foram mortos por engano. Profundamente abalado, ele procurou o pai daquela família e, por meio de um tradutor, pediu perdão. McRaven disse que também era pai e que seu coração estava pesaroso pelo sofrimento causado. Aquele homem, mesmo carregando uma dor enorme, decidiu não alimentar o ressentimento. Seu filho sobrevivente transmitiu a resposta: eles não guardariam aquilo no coração contra McRaven. Colossenses 3 nos apresenta exatamente esse tipo de vida. Paulo nos lembra que fomos alcançados pelo generoso amor de Deus e, porque recebemos graça, podemos aprender a oferecê-la aos outros.
1. QUEM RECEBE O AMOR DE DEUS APRENDE A VESTIR-SE DE GRAÇA
“Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade.” Colossenses 3.12
Paulo começa lembrando aos cristãos quem eles são antes de dizer como devem viver. Ele os chama de “eleitos de Deus, santos e amados”. Isso é muito importante, porque a transformação cristã não começa tentando conquistar o amor de Deus; começa descobrindo que já fomos amados por Ele. Somente depois disso Paulo diz: “Revesti-vos”. Assim como escolhemos uma roupa antes de sair de casa, devemos escolher diariamente as atitudes que demonstrarão a presença de Cristo em nossa maneira de tratar as pessoas.
Compaixão, bondade, humildade, mansidão e paciência não aparecem automaticamente. Elas precisam ser cultivadas. Nossa tendência natural muitas vezes é reagir, defender nossos interesses e devolver aquilo que recebemos. Mas quem compreende o tamanho da graça que recebeu começa a tratar os outros de maneira diferente. O amor de Deus não muda apenas nosso relacionamento com Ele; muda também a maneira como nos relacionamos com as pessoas.
Antes de começar seu dia, pense naquilo de que você precisa se “revestir”. Talvez em casa seja necessário vestir-se de paciência; no trabalho, de mansidão; diante de alguém difícil, de compaixão. Em vez de simplesmente reagir ao comportamento das pessoas, pergunte: “Como alguém que é amado por Deus deveria responder nesta situação?”
2. QUEM FOI PERDOADO POR DEUS APRENDE A PERDOAR
“Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós.” Colossenses 3.13
Paulo é bastante realista sobre os relacionamentos. Ele não diz “caso ninguém machuque vocês”, mas reconhece que haverá motivos de queixa. Onde existem pessoas, existirão diferenças, palavras mal colocadas, decepções e feridas. Por isso, uma comunidade cristã saudável não é formada por pessoas que nunca se machucam, mas por pessoas que aprenderam o caminho da reconciliação.
O padrão apresentado por Paulo é desafiador: “Assim como o Senhor vos perdoou.” Quando percebemos o tamanho da dívida que Deus cancelou em nossa vida, começamos a enxergar de outra maneira as dívidas que outras pessoas possuem conosco. Perdoar não significa dizer que aquilo que aconteceu foi correto, esquecer artificialmente a dor ou necessariamente restaurar uma relação sem limites e sem mudança. Perdoar significa recusar-se a viver aprisionado pelo desejo de vingança e entregar a Deus o direito de fazer justiça. Recebemos gratuitamente uma misericórdia que jamais poderíamos comprar e somos chamados a permitir que essa graça alcance também nossos relacionamentos.
Talvez você esteja carregando há muito tempo uma ofensa que continua ocupando espaço dentro do seu coração. Pergunte a Deus se chegou o momento de começar a soltá-la. O perdão pode ser um processo, especialmente quando a ferida foi profunda, mas sempre começa com uma decisão: “Senhor, eu não quero continuar alimentando isso dentro de mim.”
3. O AMOR DE DEUS É O QUE MANTÉM TUDO UNIDO
“Acima de tudo isto, porém, esteja o amor, que é o vínculo da perfeição. Seja a paz de Cristo o árbitro em vosso coração […] Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo.” Colossenses 3.14-16
Depois de falar sobre compaixão, bondade, paciência e perdão, Paulo apresenta aquilo que mantém todas essas virtudes unidas: o amor. Não se trata apenas de sentimento, mas de uma disposição de buscar o bem do outro. Onde esse amor governa, a paz de Cristo começa a dirigir os relacionamentos e a Palavra encontra espaço para habitar. Por isso Paulo conclui dizendo que tudo aquilo que fizermos, por palavras ou ações, deve ser realizado em nome do Senhor Jesus e com gratidão a Deus (v.17).
Esse tipo de amor não pode ser produzido apenas pelo esforço humano. Há pessoas difíceis de amar e situações nas quais nosso coração simplesmente não deseja oferecer graça. É exatamente aí que precisamos voltar à fonte. Nós amamos porque fomos amados, oferecemos misericórdia porque recebemos misericórdia e perdoamos porque fomos perdoados. Quanto mais profundamente experimentamos o generoso amor de Deus, mais temos desse amor para repartir.
Peça ao Senhor que revele como Seu amor pode aparecer concretamente nos seus relacionamentos nesta semana. Talvez seja por meio de uma conversa, um pedido de desculpas, uma atitude de paciência ou uma decisão de não alimentar uma ofensa. O amor cristão deixa de ser apenas uma palavra bonita quando começa a determinar nossas atitudes.
Conclusão
Colossenses 3 nos apresenta uma maneira de viver que somente a graça pode produzir. Deus nos chama de amados e depois nos convida a amar; oferece misericórdia e depois nos ensina a ser misericordiosos; perdoa nossas dívidas e depois nos chama a não viver cobrando eternamente as dívidas dos outros. Tudo começa naquilo que recebemos do Senhor.
Talvez a grande pergunta não seja simplesmente “essa pessoa merece meu perdão?”, mas “quanto perdão eu já recebi de Deus?” Quando olhamos para a cruz, descobrimos que somos beneficiários de uma generosidade extraordinária. E quando esse amor enche nosso coração, começamos a oferecê-lo também às pessoas que Deus colocou ao nosso redor.
HISTÓRIA PARA LEMBRAR: UM PRESENTE QUE NÃO PODIA SER EXIGIDO
William McRaven tornou-se conhecido mundialmente por um discurso em que ensinava, entre outras coisas, a importância de começar o dia arrumando a própria cama. Mas uma das experiências mais profundas que relatou aconteceu durante uma operação militar no Oriente Médio. Por engano, membros inocentes de uma família morreram. McRaven sabia que nenhuma explicação poderia devolver aquelas vidas e decidiu procurar o pai da família para pedir perdão.
Com a ajuda de um tradutor, disse que era soldado, mas também era pai, e que seu coração estava profundamente pesaroso. Diante dele estava um homem que possuía todos os motivos humanos para alimentar ódio. No entanto, aquela família decidiu oferecer algo que McRaven não poderia exigir: perdão. O filho sobrevivente transmitiu a resposta de que eles não guardariam aquilo no coração contra ele.
É uma bela imagem daquilo que Paulo nos ensina. Existem presentes que dinheiro nenhum consegue comprar, e o perdão é um deles. Nós mesmos vivemos porque Deus decidiu nos oferecer esse presente. Por isso, quando for difícil demonstrar misericórdia, lembremo-nos de onde tudo começou: antes de sermos chamados a oferecer graça, fomos alcançados pelo generoso amor de Deus.
Para Conversar
1. Qual das atitudes de Colossenses 3.12, compaixão, bondade, humildade, mansidão ou paciência, você mais precisa desenvolver atualmente?
2. Existe alguma mágoa que você ainda está carregando e que precisa começar a entregar a Deus para experimentar a liberdade do perdão?
Pr Fabio Alcantara
