O QUE FAZER COM PREOCUPAÇÕES RECORRENTES?
Texto base: Eclesiastes 5.3
“Porque da muita ocupação vêm os sonhos, e do muito falar, palavras néscias.”
INTRODUÇÃO
Você já teve a sensação de que sua mente continua trabalhando mesmo quando você gostaria que ela parasse? O corpo se deita, mas os pensamentos continuam acordados. Algumas preocupações são resolvidas rapidamente, enquanto outras parecem voltar repetidamente. Pensamos nelas durante o dia, levamos essas questões para a cama e, algumas vezes, elas aparecem até em nossos sonhos.
Imagine alguém que sonha frequentemente que estacionou o carro em algum lugar e depois não consegue encontrá-lo. No sonho, ele procura, tenta lembrar onde esteve, refaz seus passos, mas o carro simplesmente não aparece. Não precisamos interpretar isso como uma revelação ou procurar um significado oculto em cada detalhe. Eclesiastes apresenta uma explicação muito mais simples e, ao mesmo tempo, profunda: “da muita ocupação vêm os sonhos”. Aquilo que ocupa demasiadamente nossa mente pode continuar repercutindo dentro de nós.
Existem preocupações que se parecem com esse carro perdido. Sabemos que alguma coisa está nos incomodando, mas não conseguimos encontrar uma solução. Voltamos ao mesmo pensamento, fazemos novamente as mesmas perguntas e imaginamos possibilidades diferentes. O problema é que pensar repetidamente sobre alguma coisa não significa necessariamente que estamos resolvendo essa coisa.
Deus não nos criou para viver permanentemente presos nesse ciclo. A Bíblia não promete uma vida sem preocupações, mas nos ensina o que fazer quando elas chegam. E existem pelo menos três atitudes importantes para lidar com aquilo que insiste em voltar à nossa mente.
1. RECONHEÇA AQUILO QUE ESTÁ OCUPANDO SUA MENTE
“Porque da muita ocupação vêm os sonhos…” (Eclesiastes 5.3)
Salomão percebeu algo que hoje conhecemos muito bem: aquilo que ocupa intensamente nossos pensamentos pode nos acompanhar até durante o descanso. Há momentos em que o problema nem está acontecendo naquele instante, mas continuamos vivendo mentalmente dentro dele.
É importante distinguir responsabilidade de preocupação. Responsabilidade pergunta: “O que posso fazer a respeito disso?”. A preocupação recorrente pergunta: “E se acontecer isso? E se der errado? E se eu não conseguir?”. A responsabilidade procura uma atitude; a preocupação muitas vezes apenas repete cenários.
Por isso, precisamos aprender a identificar o que está ocupando espaço demais dentro de nós. Às vezes estamos irritados, cansados ou inquietos sem perceber que existe uma preocupação funcionando silenciosamente por trás de tudo isso. Pode ser uma decisão, uma situação familiar, uma questão financeira, um problema no trabalho, uma expectativa frustrada ou simplesmente o medo do futuro.
O primeiro passo não é fingir que está tudo bem. É conseguir dizer diante de Deus: “É isto que está me preocupando.” Quando damos nome àquilo que nos inquieta, deixamos de lutar contra uma sensação indefinida e começamos a lidar com algo concreto.
Pergunte a si mesmo: “Qual pensamento tem retornado constantemente nos últimos dias?”. Depois complete esta frase: “Senhor, o que mais tem ocupado minha mente neste momento é…” Fale claramente com Deus sobre isso.
2. TRANSFORME A PREOCUPAÇÃO RECORRENTE EM ORAÇÃO RECORRENTE
“Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus.” (Filipenses 4.6)
Paulo não diz simplesmente: “Pare de se preocupar”. Se fosse tão fácil, provavelmente já teríamos feito isso. Ele apresenta uma substituição: quando aquilo que preocupa voltar, transforme esse retorno em um chamado para conversar novamente com Deus.
Algumas preocupações são recorrentes porque tratam de situações que ainda não foram resolvidas. Você orou ontem, mas o problema continua existindo hoje. Então pode apresentá-lo novamente a Deus. Jesus também ensinou seus discípulos a perseverarem em oração. O problema não está em levar muitas vezes a mesma necessidade ao Senhor; está em carregar sozinho aquilo que poderíamos colocar repetidamente diante dele.
Podemos estabelecer uma nova reação. Toda vez que determinado pensamento aparecer, em vez de iniciar outra sequência de hipóteses, podemos fazer uma oração simples: “Senhor, isso voltou à minha mente. Eu continuo sem ter todas as respostas, mas continuo colocando essa situação em tuas mãos.”
Escolha uma preocupação recorrente e transforme-a em um “alarme de oração”. Sempre que ela voltar à mente durante esta semana, não continue alimentando o pensamento. Pare por alguns segundos e diga: “Pai, entrego isso novamente a ti. Mostra-me o que devo fazer e dá-me paz sobre aquilo que não posso controlar.”
3. FAÇA O QUE ESTÁ AO SEU ALCANCE E ENTREGUE A DEUS O QUE NÃO ESTÁ
“Lancem sobre ele toda a sua ansiedade, porque ele tem cuidado de vocês.” (1 Pedro 5.7)
Uma das maiores fontes de desgaste emocional é tentar controlar aquilo que está além de nossas possibilidades. Queremos controlar resultados, pessoas, acontecimentos futuros e até situações que dependem de inúmeras circunstâncias que desconhecemos.
Voltemos à imagem do carro perdido. Imagine alguém procurando desesperadamente seu automóvel em um enorme estacionamento. Quanto mais nervoso fica, menos consegue lembrar onde o deixou. Algumas preocupações produzem exatamente isso: quanto mais tentamos controlar tudo, mais perdidos nos sentimos.
A fé cristã não significa passividade. Se existe alguma coisa que podemos fazer, devemos fazê-la. Se precisamos conversar com alguém, conversemos. Se precisamos tomar uma decisão, decidamos. Se precisamos pedir ajuda, peçamos. Se precisamos organizar alguma área da vida, façamos isso. Mas depois de cumprirmos nossa responsabilidade, precisamos reconhecer humildemente que existem resultados que pertencem a Deus.
Pedro diz: “Lancem sobre ele”. A imagem é de colocar sobre outra pessoa aquilo que estávamos carregando. E existe uma razão para podermos fazer isso: “porque ele tem cuidado de vocês.” Nossa segurança não está em conseguirmos controlar tudo, mas em pertencermos a um Deus que continua cuidando de nós mesmo quando não
Divida mentalmente sua preocupação em duas partes: “O que depende de mim?” e “O que não depende de mim?” Assuma responsabilidade pela primeira parte e entregue conscientemente a segunda a Deus. Não tente ocupar o lugar que pertence somente a Ele.
CONCLUSÃO
Preocupações recorrentes fazem parte da experiência humana. Às vezes elas chegam durante uma conversa, aparecem no silêncio da noite e podem até atravessar nossos sonhos. Eclesiastes nos lembra que “da muita ocupação vêm os sonhos”. Nossa mente frequentemente continua processando aquilo que temos carregado durante o dia.
Mas Deus não deseja que sejamos governados por esses pensamentos.
Quando uma preocupação voltar, podemos seguir três passos: reconhecer aquilo que está ocupando nossa mente, transformar a preocupação em oração e separar aquilo que podemos fazer daquilo que precisamos entregar a Deus.
Talvez algumas situações não desapareçam amanhã. A fé não significa que todos os problemas serão resolvidos imediatamente. Significa que não precisamos enfrentá-los sozinhos.
Há coisas que precisam ser resolvidas.
Há coisas que precisam ser esperadas.
E há coisas que simplesmente precisam ser entregues.
A maturidade está em aprender a diferença.
PARA CONVERSAR NA CÉLULA
- Qual a diferença entre pensar responsavelmente sobre um problema e simplesmente alimentar uma preocupação recorrente?
- Existe alguma preocupação que você precisa transformar em oração e entregar novamente a Deus nesta semana?
Pr. Fabio Alcantara
